Blog do Stevens Rehen

Apologia à ciência
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Stevens Rehen

O Professor Elisaldo Carlini, 88 anos, é um dos maiores neurocientistas do mundo.

Carlini publicou os artigos científicos que deram origem ao tratamento para epilepsia baseado em componentes da maconha (Carlini et al, 1973; Cunha et al, 1980, links abaixo).

Essa semana o Professor Carlini foi intimidado a depor pela polícia, acusado de apologia ao crime.

Trata-se de um atentado contra um senhor de quase 90 anos cujo “pecado” é fazer ciência no Brasil de qualidade internacional.

Se o Professor Carlini foi parar na delegacia, imaginem o que poderá acontecer com outros cientistas brasileiros que estudam o potencial terapêutico dos canabinoides, psicodélicos etc?

Atenção Academia Brasileira de Ciências, atenção Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência: nada está tão ruim que não possa piorar mais ainda.

Quem será o próximo?

Para saber mais:

http://revistapesquisa.fapesp.br/…/elisaldo-carlini-o-uso-…/

http://onlinelibrary.wiley.com/…/j.2042-7158.1973.tb10…/full

https://www.karger.com/Article/Abstract/137430


Nosso mais recente artigo científico
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Stevens Rehen

Nosso mais recente artigo científico, publicado hoje 22/02 na revista Translational Psychiatry, indica que células neurais de pessoas com esquizofrenia produzem compostos que comprometem a formação de seus vasos sanguíneos.

Usamos células-tronco humanas, ovos de galinha e cordão umbilical para identificar essas substâncias, produzidas no cérebro e que alteram a vascularização dos pacientes.

A abordagem é diferente de tudo o que se fez até agora para compreender em laboratório aspectos básicos da relação entre os sistemas vascular e nervoso e os transtornos mentais.

Trabalho feito no Brasil em parceria com colegas do Chile.

Internacionalizar a ciência brasileira é internalizar a ciência internacional em nosso país (e na América Latina). Não tem outro jeito.

https://www.nature.com/articles/s41398-018-0095-9


Intervenção militar no Rio e a heurística da disponibilidade
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Stevens Rehen

“Nesses 70 e tantos anos de vida eu nunca vi escalada de violência tamanha no Rio de Janeiro” meu pai lamentou enquanto caminhávamos juntos anteontem.

Hoje, enquanto escrevia esse texto, minha mãe enviou um WhatsApp: “Li hoje uma coisa que fiquei triste – O Rio é o câncer do Brasil”.

Antes de concordar que o fim do mundo (ou pelo menos da minha cidade) está próximo, resolvi recorrer à “heurística da disponibilidade”, fenômeno de nome complicado no qual “pessoas julgam a probabilidade de um evento pela facilidade com que exemplos (desse evento) surgem em suas mentes”.

A percepção da chance de algo acontecer é ainda mais forte quando os exemplos são ruins ou de risco, pois grudam no nosso cérebro muito mais que situações agradáveis ou felizes.

Comportamento justificado (e preservado evolutivamente) como estratégia de antecipação a situações de perigo.

Afinal, seguro morreu de velho.

Não fosse por isso, O Povo (aquele jornal que se espreme, sai sangue) não teria vendido tanto quanto vendeu na época pré-internet.

A questão é que muitas vezes nos enganamos no julgamento das probabilidades, e o pior, tem gente se aproveitando disso.

A população tem mais medo de avião do que de carro, apesar do risco de acidentes fatais ser 86 vezes maior nas estradas.

Dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio sustentam que não houve explosão de violência no Rio em 2018.

5.865 ocorrências foram registradas durante o Carnaval.

O número é inferior aos registrados em 2015 (9.062) ou 2016 (9.016).

O número de casos em 2017 (5.773) “não conta”, pois a polícia civil estava em greve (e não fez registros de forma adequada).

Oba, vamos celebrar esses números?

Claro que não…

Como disse Tom Jobim, o Rio não é para principiantes.

Na prática, somos o 12o estado mais violento do país.

Um título nada fácil de ostentar, porém, em ordem de prioridade técnica, deveríamos aguardar na fila por 11 intervenções, antes de chegar a nossa vez.

Por que então a intervenção federal foi decretada justamente no Rio de Janeiro?

A Cidade Maravilhosa tem visibilidade global, um prefeito pateta e um governador lambão.

Além disso, a tal heurística da disponibilidade jogou contra…

92 milhões de brasileiros nas redes sociais e 120 milhões em grupos de WhatsApp foram bombardeados com vídeos de episódios violentos no Rio e concluíram, sem pestanejar, que teve início o apocalipse carioca.

Daí a sensação de meus pais de que “estamos lascados” e a oportunidade perfeita para o governo federal tentar apagar de nossas mentes a imagem do vampirão neoliberal.

O Rio de Janeiro não vai melhorar com intervenção militar.

Se fosse por isso, estaríamos resolvidos desde 1992.

Para quem não lembra (ou não era nascido), a primeira ocupação com tanques e soldados para “resolver questões de segurança pública” ocorreu durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Eco-92).

E nos últimos 10 anos, as Forças Armadas já estiveram por aqui 12 vezes com a mesma finalidade.

O futuro (e o presente) do Rio de Janeiro dependem de uma discussão sóbria sobre política de drogas, uma reorganização das polícias e a ocupação social das favelas.

Enquanto isso não acontecer, continuaremos no enxuga-gelo, suscetíveis a salvadores da pátria, incluindo sanguessugas e fascistas, e nos sentindo como metástases.

Foto: https://goo.gl/tye92Y


O porte de armas pelo cidadão comum…
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Stevens Rehen

O porte de armas pelo cidadão comum não é a primeira linha de defesa de um país e não o protege da violência.

Muito pelo contrário, aumenta o número de homicídios e suicídios, além de facilitar os ataques a tiros em escolas (https://www.massshootingtracker.org/data)

Dados científicos são educativos para aqueles que têm outra percepção sobre o tema e desconstroem qualquer “argumento” da bancada da bala.

Para saber mais: https://www.scientificamerican.com/…/more-guns-do-not-sto…/…#

O assunto estava na timeline de Rogerio Panizzutti.


Nerd of Trust
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Stevens Rehen

Feliz ao perceber que ontem (14/2) às 14h a minha página pessoal alcançou 9.002 seguidores/amigos.

Nada mal para alguém que gosta de escrever sobre ciência feita no Brasil e que enxerga o copo sempre meio cheio, mais do que meio vazio.

O mais importante é que “o público típico do cientista nas redes é muito conectado, e capaz de ampliar significativamente o engajamento social em torno da ciência e sua importância” (Craig McClain, 2017, link abaixo).

Portanto, muito obrigado a vocês pela divulgação da ciência nas redes sociais.

Estamos juntos nessa empreitada!

Só a ciência brasileira salvará o Brasil.

Practices and promises of Facebook for science outreach (becoming a Nerd of Trust): https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5486963/

Foto: fotógrafo Bispo, revista Trip.

 


O Carnaval é resistência, é sonho e esperança
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Stevens Rehen

“Hoje pensar em ciência
É ter consciência do que está por vir
Então pra que discutir
Corra que o futuro vem aí“

(Samba Enredo, Vila Isabel 2018)

Ciência desfilando na mais famosa avenida do mundo nessa época do ano.

O Carnaval é resistência, é sonho e esperança.

O Carnaval ajuda a divulgar ciência.

A Ciência inspira a arte do Carnaval.

Viva o Carnaval carioca.

P.S.

Hoje a Imperatriz homenageará os 200 anos do Museu Nacional, sua história e pesquisas.

Mais cedo a São Clemente contou a história da Escola de Belas Artes e ainda levou alegoria sobre o incêndio no prédio da reitoria da UFRJ.

Foto: Raphael David (Riotur)


Elon Musk está aí, mas a comunidade científica segue mesmo com Gutenberg
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Stevens Rehen

Na época da tinta e do papel, fazia sentido não gastar grana à toa com pedidos de separatas. Nesse caso, era melhor mesmo apostar nas grifes.

Essa lógica evaporou com o advento da internet e a possibilidade infinita de acesso ao conhecimento.

O papel anacrônico das revistas científicas sobrevive sustentado no processo (muitas vezes enviesado) de revisão por pares, 2 ou 3, e que não garante necessariamente nada. Só mesmo rios de dinheiro para muitas das editoras.

A reputação do cientista não deveria depender do índice de impacto da revista onde eventualmente publicou mas do que faz na prática para tornar o mundo melhor.

Link estava na timeline do Rafael Roesler: http://asapbio.org/eisen-appraise


Os Mundos Invisíveis seguem vivos!
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Stevens Rehen

A Mostra encerrou sua temporada no Museu do Amanhã e será reaberta ao público num super espaço na zona sul do Rio, após o Carnaval.

No dia 24/3 a palestra: Divulgar ciência faz bem…