Blog do Stevens Rehen

As bases biológicas de um transtorno mental…
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Stevens Rehen

Entender as bases biológicas de um transtorno mental complexo e multifatorial é um enorme desafio.

Uma equipe norte-americana diz ter identificado alterações de desenvolvimento associadas à esquizofrenia.

Para isso, analisaram minicérebros gerados de células reprogramadas de 3 pacientes (e a partir daqui passa a ecoar na minha cabeça a voz sempre sensata do Olavo Amaral com ressalvas a respeito desse pequeno número amostral).

Descreveram alterações de proliferação e migração, além de células que aparentemente não conseguem se desvencilhar do ciclo celular.

Por que os sintomas de esquizofrenia aparecem na adolescência ou idade adulta, se seriam então conseqüência do desenvolvimento pré-natal alterado do cérebro?

Os autores lembram que o amadurecimento do córtex pré-frontal é tardio, justamente quando os primeiros sintomas acontecem.

https://www.nature.com/articles/s41398-017-0054-x


A participação do Brasil não pode ser intencionalmente esquecida…
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Stevens Rehen

Em 2016, Amilcar Tanuri e sua equipe no Rio de Janeiro demonstraram a eficácia da cloroquina sobre o virus zika.

Participamos pontualmente desse estudo, testando a cloroquina em neuroesferas humanas infectadas.

Os resultados, todos gerados no Brasil, foram publicados numa revista científica:

Chloroquine, an Endocytosis Blocking Agent, Inhibits Zika Virus Infection in Different Cell Models

http://www.mdpi.com/1999-4915/8/12/322

E repercutiram internacionalmente, ainda como preprint:

Chloroquine Protects Against Zika In Vitro by Marcia Triunfol

https://www.the-scientist.com/?articles.view/articleNo/46076/title/Chloroquine-Protects-Against-Zika-In-Vitro/

Ontem a notícia voltou, requentada pela mídia especializada dos Estados Unidos, como uma “descoberta” de pesquisadores da California.

https://www.sciencedaily.com/releases/2017/11/171117085105.htm

https://www.genengnews.com/gen-news-highlights/antimalarial-drug-repurposed-to-treat-and-prevent-zika-transmission/81255183

http://www.medicalnewsobserver.com/2017/11/chloroquine-malaria-zika-treatment.html

Não pode-se tirar o mérito dos colegas de lá que confirmaram nossos achados originais e estenderam as análises para um modelo animal.

https://www.nature.com/articles/s41598-017-15467-6

É assim que a ciência avança, somando-se descobertas, mas daí a sustentar publicamente que a ideia de usar cloroquina contra o virus zika é norte-americana, são outros quinhentos.

Reconheço que muitas vezes é difícil exercer a carreira científica com humildade mas insistir no modus operandi que ignora sempre a contribuição do próximo tem outro nome.

No caso dos estudos sobre o vírus zika, a participação histórica de pesquisadores no Brasil não pode ser intencionalmente esquecida.


Não necessariamente seu amigo tem um “péssimo gosto musical”…
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Stevens Rehen

Nós humanos somos capazes de sentir prazer ouvindo música.

Dito isso, não se sabia muito bem porque tem gente que prefere reggae, outros o jazz ou o sertanejo.

Artigo publicado por cientistas canadenses sugere que a preferência musical depende da ativação da via fronto-estriatal do cérebro, a qual pode ser inclusive modificada (!) por estimulação magnética transcraniana.

Em outras palavras, não necessariamente seu(a) amigo(a) tem um “péssimo gosto musical”, as vias fronto-estriatais dele(a) é que não estão sincronizadas com as suas.

https://www.nature.com/articles/s41562-017-0241-z


Quanto mais assiste-se televisão, menores são os telômeros
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Stevens Rehen

Minha hipótese é que a erosão telomérica será ainda maior se Temer ou Trump estiverem no noticiário.esquisadores no Brasil não pode ser intencionalmente esquecida.

http://ajph.aphapublications.org/doi/abs/10.2105/AJPH.2017.303879?journalCode=ajph&


“Early Intervention and Diagnosis in Paediatric Neurodevelopment Defects”
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Stevens Rehen

Academia Nacional de Medicina, Academia Brasileira de Ciências e Academia de Ciências Médicas do Reino Unido promovem o workshop ''Early Intervention and Diagnosis in Paediatric Neurodevelopment Defects''

Estaremos lá, com novos dados!

Programação e inscrições gratuitas no link: http://www.abc.org.br/centenario/?Workshop-Diagnostico-e-tratamento-precoce-de-transtornos-neurologicos-infantis


Aulas invertidas
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Stevens Rehen

Temos experimentado “aulas invertidas” e outras dinâmicas onde os alunos se tornam protagonistas, discutem, aprendem e ensinam.

O feedback dos estudantes tem sido bastante positivo. E enquanto docente, sinto-me mais realizado.

O desafio é institucionalizar esses novos modelos e estender as experimentações a mais disciplinas e cursos.

https://www.cartacapital.com.br/blogs/vanguardas-do-conhecimento/aulas-invertidas-sao-muito-mais-eficientes


Desde que o mundo é mundo…
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Stevens Rehen

Desde que o mundo é mundo, colonizadores e “vencedores” se esforçam para reescrever a história, buscando o protagonismo único e reforçando estereótipos.

Em ciência, não é diferente.

A revista The Scientist desse mês traz artigo sobre o que conhecemos atualmente como “mosaicismo cerebral”.

O texto assinado por importantes pesquisadores – pelo quais aliás sempre tive apreço e respeito – ignorou 40 anos de descobertas científicas.

http://www.the-scientist.com/…

Os trabalhos seminais de Christopher Walsh, Karl Herrup, Jerold Chun, Yuri Yurov etc, além de todos os nossos artigos científicos da década passada foram omitidos.

https://scholar.google.com.br/scholar…

Ficou parecendo que a sacação de que 2 neurônios de uma mesma pessoa não são idênticos foi descoberta original de um único grupo de pesquisa.

Um desserviço aqueles que apreciam a construção coletiva do conhecimento científico.

Um outro exemplo, ocorrido também esse mês e novamente na minha querida California, foi a tentativa de apropriação do protagonismo de uma descoberta original de Thiago Souza e colaboradores no Rio de Janeiro.

http://ucsdnews.ucsd.edu/…/zika_virus_infects_developing_br…

Os artigos que descrevem pela primeira vez o efeito do antiviral sofosbuvir sobre o vírus zika foram publicados em janeiro e agosto e são 100% brasileiros.

https://www.nature.com/articles/srep40920

https://www.nature.com/articles/s41598-017-09797-8

Considera-se má conduta científica o plagio e falsificação de dados.

Ignorar a contribuição científica dos pares na construção do conhecimento ainda não é considerada má conduta, mas certamente é má fé.