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Considerações de um cientista sobre o plano de Bolsonaro para ciência e tecnologia

Stevens Rehen

17/10/2018 11h17

A proposta de Plano de Governo de Jair Bolsonaro, no que diz respeito à ciência, concentra-se principalmente numa abordagem de incentivo às parcerias público-privadas e numa ciência "mais aplicada" e menos básica, além de um aparente foco nas ciências exatas e não tão claramente nas ciências da saúde.

Como as universidades brasileiras, principalmente as públicas, são a espinha dorsal do desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil, uma mudança para um modelo de busca de recursos e parcerias no setor privado pode levar a pautar a ciência brasileira em questões exclusivamente imediatistas ou militares (como o candidato declarou recentemente), e menos em questões estratégicas de saúde pública, por exemplo.

Além disso, durante sua atuação no Congresso Nacional como deputado, Bolsonaro ignorou evidências científicas.

Uma das 2 leis que ele conseguiu aprovar foi a liberação da fosfoetanolamina, a chamada pílula do câncer, substância que gerou clamor popular mas nunca teve sua eficácia cientificamente comprovada.

Bolsonaro não costuma fazer, em sua campanha, menções à área de ciência e tecnologia. Quando o faz, cita a importância de investimento em pesquisas com nióbio e grafeno.

Não está claro como o candidato atacaria o problema da infraestrutura ou o contingenciamento do FNDCT, ou como lidaria com questões cruciais para a pesquisa científica, como a burocracia que atrapalha a importação de reagentes e o estudo da nossa biodiversidade.

A ideia de reduzir o número de ministérios, extinguindo, por exemplo, o MMA, terá impacto direto na ciência que deveríamos fazer.

O diferencial competitivo do Brasil é sua biodiversidade e ela deveria perpassar todos os aspectos da ciência brasileira. Acabar com o MMA sinaliza desconhecimento do candidato quanto ao nosso principal diferencial competitivo como nação.

Concluindo, as ações pregressas de Bolsonaro e as diretrizes genéricas para a gestão de C&T que caracterizam seu programa sugerem um cenário desanimador.

*Elaborado em parceria com Fabio Gouveia, Pablo Trindade, Alexandre Anésio, Mauro Rebelo e Renato Molica.

Sobre o Autor

"Stevens Rehen é um neurocientista brasileiro, coordenador de pesquisa do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e professor titular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Também é Membro do Comitê Científico do Museu do Amanhã, Membro do Conselho Científico do Instituto Serrapilheira, Embaixador ASAPbio, Chair do Comitê Brasileiro da Pew Charitable Trust Latin American Program in the Biomedical Sciences, Coordenador científico da ArtBio, Membro da Academia de Ciências da América Latina e Membro Afiliado da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento (TWAS).Prêmio Saúde 10 anos na categoria Saúde Mental e Emocional, Revista Saúde e Editora Abril (2015), Prêmio Faz Diferença, Jornal O Globo (2011), As 100 pessoas mais influentes do Brasil em 2009 e novamente em 2011 (Revista Época). Os 8 brasileiros que estão moldando positivamente o futuro do país (Revista Fora de Série), Jornal Brasil Econômico, 2009. Contato para palestras, eventos e institucionais: srehen@uol.com.br"

Sobre o Blog

O cotidiano de um cientista no Brasil.

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