Blog do Stevens Rehen

Em tempos de tanta intolerância política e religiosa…
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Stevens Rehen

Em tempos de tanta intolerância política e religiosa o simbolismo de um encontro científico no Vaticano deve ultrapassar seus muros e reverberar em outras partes do mundo.

Independente da sua religião (que diga-se de passagem eu não tenho) ouvir o próximo é o que mais precisamos nesse período tão esquisito da história recente.

Principalmente ouvir o que a ciência tem a dizer!

E pra quem não sabe, a Academia Pontifícia de Ciências já foi presidida pelo brasileiro Carlos Chagas Filho entre 1972 e 1988.

Momento super oportuno para que volte a ser atuante, como foi na época do saudoso Professor Chagas.

Foto: delegação brasileira de cientistas no evento da Academia Pontifícia do Vaticano. Com os Professores Davidovich, Bagnato e Rech.


Uma varredura num tema novo parece ser uma mão na roda
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Stevens Rehen

Na minha época (esquisito escrever assim mas é verdade) eu tinha o costume de passar na biblioteca do Centro de Ciências da Saúde da UFRJ uma vez por semana e folhear as 3 ou 4 revistas da minha área. Pronto, saia de lá atualizado com as novidades.

Em virtude do crescimento expressivo no número de publicações disponíveis (dobra por completo a cada 9 anos), tornou-se impossível acompanhar a literatura científica.

Para ajudar nessa tarefa, surgiu a Semantic Scholar (https://www.semanticscholar.org).

Inteligência artificial (AI) que lê tudo que acha pela frente e depois resume pra gente.

Por enquanto, com os algoritmos em desenvolvimento, nada substitui estudar os artigos de maior interesse. Só assim para extrair por completo as informações.

De todo modo, para quem pretende fazer uma varredura num tema novo parece ser uma mão na roda.

O foco por enquanto é ciência da computação, neurociências e ciências biomédicas e seu acervo de 40 milhões de artigos.

Como todo mundo adora criar rankings, a ferramenta já foi usada para identificar cientistas “influentes” em ciências biomédicas. A lista está disponível no link abaixo.

http://www.sciencemag.org/…/who-s-most-influential-biomedic…

Por conta da correria da vida (e do lab) não conseguirei brincar com a ferramenta nas próximas semanas, mas fiquei curioso para saber como estão os cientistas brasileiros nos mais variados rankings que podem ser gerados com a ajuda da AI.

Será que temos cientistas brasileiros em destaque?


Uma hora por semana parece benéfico para 12% dos casos de depressão
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Stevens Rehen

Uma hora por semana parece benéfico para 12% dos casos de depressão, independente da intensidade do treinamento, idade ou gênero.

34 mil indivíduos foram acompanhados por 11 anos.

Mudanças relativamente modestas nos níveis de atividade física da população podem ter importantes benefícios públicos para a saúde mental e prevenir um número substancial de novos casos de depressão.

Para efeitos sobre o condicionamento físico recomenda-se exercícios pelo menos 3 vezes por semana.

Para saber mais:

http://ajp.psychiatryonline.org/doi/abs/10.1176/appi.ajp.2017.16111223


Cada um luta com as armas que tem
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Stevens Rehen

Às custas do conhecimento gerado por cientistas mundo afora e do trabalho voluntário de revisão por pares, a empresa holandesa Elsevier tem margem de lucro maior que a Apple.

No Brasil, a CAPES paga 85 milhões de dólares por ano pelo acesso às revistas científicas publicadas pela líder editorial de ciência, tecnologia e saúde.

Na Alemanha e Finlândia, por exemplo, cientistas deixaram cargos de editor na Elsevier, como forma de pressionar a empresa a permitir acesso livre para artigos científicos produzidos naqueles países e preços mais acessíveis pelas assinaturas.

Eu vou contar um segredo pra vocês.

Há mais de um ano não aceito convite para revisar para a Elsevier, compartilho preprints e privilegio revistas de outras editoras para submeter nossos trabalhos autorais.

Cada um luta com as armas que tem. #nodealnoreview

Para saber mais:

https://www.theguardian.com/science/2017/jun/27/profitable-business-scientific-publishing-bad-for-science

https://www.periodicos.capes.gov.br/?option=com_pnews&component=Clipping&view=pnewsclipping&cid=842&mn=0

http://www.sciencemag.org/news/2017/10/german-researchers-resign-elsevier-journals-push-nationwide-open-access

https://medium.com/@jasonschmitt/can-t-disrupt-this-elsevier-and-the-25-2-billion-dollar-a-year-academic-publishing-business-aa3b9618d40a

http://www.nodealnoreview.org/


Em nossas próprias bolhas acreditamos que fazemos sempre o bem…
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Stevens Rehen

Quantos cientistas conseguem dizer sem pestanejar que suas pesquisas merecem o dinheiro do contribuinte?

Em nossas próprias bolhas acreditamos que fazemos sempre o bem, que nosso trabalho é o que vai salvar o mundo e que ninguém deveria questionar o valor da ciência.

Eu também acredito que só a ciência salva mas tem muita gente questionando, sem interesses outros, se o dinheiro de impostos, o dinheiro público, deveria mesmo sustentar pesquisas cujos resultados são difíceis de tangibilizar.

Os interesses dos cientistas não necessariamente continuam em sintonia com o que a sociedade quer (ou acha que quer).

Dizer simplesmente que ciência é o motor da inovação e do crescimento econômico parece não ser mais suficiente.

Como escreveu Mia Couto “a cilada maior é acreditarmos que as armadilhas estão sempre fora de nós, num mundo que temos por cruel e desumano. Ora, por muito que nos custe, nós somos também esse mundo. E as armadilhas que pensávamos exteriores residem profundamente dentro de nós. Quebrar as armadilhas do mundo é, antes de mais, quebrar o mundo de armadilhas em que se converteu o nosso próprio olhar. Precisamos de passar um programa antivírus pelo nosso hardware mental.”

http://www.revistaprosaversoearte.com/quanto-menos-entendemos-mais-julgamos-mia-couto/

Há uma multidão que não se sente acolhida, que não sabe como a ciência os atinge.

São essas pessoas que decidem as eleições e por conseguinte o futuro da própria ciência.

Um mar de gente a quem precisamos nos aproximar, identificar e resolver seus problemas.

O engajamento das universidades nos desafios de suas próprias comunidades pode ser um caminho.

Isso já acontece é claro, mas talvez devêssemos fazer mais, ou no mínimo, divulgar melhor o que é feito.

A provocação é da revista Nature cujo texto li originalmente na timeline do Marcelo Leite.

http://www.nature.com/news/researchers-should-reach-beyond-the-science-bubble-1.21514?WT.mc_id=FBK_NA_1702_FHEDSCIBUBBLE_PORTFOLIO


Efeitos de uma substância psicodélica sobre neurônios humanos vivos
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Stevens Rehen

Estudamos os efeitos de uma substância psicodélica sobre neurônios humanos vivos

Reportagens no Estadão e Globo relatam nossa descoberta científica mais recente utilizando minicérebros

Ciência 100% brasileira, colaboração IDOR, UFRJ, UNICAMP e UFRN

Para saber mais:

http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,cientistas-brasileiros-revelam-como-psicodelicos-alteram-cerebro,70002035074

https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/substancias-psicodelicas-melhoram-atividade-cerebral-revela-estudo-21929397